A Paz que Excede Todo Entendimento

Pretendo discorrer rapidamente sobre a paz que excede todo entendimento, como revela Paulo em sua carta aos filipenses.

“Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos. Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor. Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.”

Filipenses 4: 4-7

Paulo incluiu estas recomendações na carta que escreveu aos cristãos de Filipos. Ele mostra aos filipenses (e também a nós, depois de dois mil anos), como podemos ter a paz de Deus por meio da oração e fala sobre coisas positivas que temos que pensar e fazer para receber a ajuda do “Deus de paz”. E assim o faz estando preso em Roma (Atos 28:30-31), conforme relata no capítulo 1 da mesma carta:

“Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do evangelho; de maneira que as minhas cadeias, em Cristo, se tornaram conhecidas de toda a guarda pretoriana e de todos os demais; e a maioria dos irmãos, estimulados no Senhor por minhas algemas, ousam falar com mais desassombro a palavra de Deus.”

Filipenses 1:12-14

Paulo revela que o sofrimento que lhe impõe o cárcere torna-se suportável diante do impacto causado entre os guardas romanos encarregados de sua vigilância e sobre os cristãos que foram encorajados por seus exemplo e ensinamentos. Ele não se vê ansioso ou angustiado, mas descansa na certeza de que há um propósito em sua aflição e que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28).

“Porque estou certo de que isto mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo, me redundará em libertação, segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte.”

Filipenses 1:19-20

Transcrevo uma explicação sobre Filipenses 4 extraída de um estudo dos Testemunhas de Jeová[1]:

Quando os servos de Deus estão muito preocupados e ansiosos, podem orar a ele para receber consolo. Ele promete dar a eles paz interior; isso os ajuda a lidar com a ansiedade e protege sua mente e seu coração. O versículo 6 fala de diferentes formas de oração que podem ajudar os servos de Deus a receber essa paz.

Súplicas são orações em que a pessoa implora a Deus por ajuda. Uma pessoa talvez faça uma súplica a Deus quando está em uma situação estressante ou de perigo, assim como Jesus fez. (Hebreus 5:7) Geralmente a pessoa faz esse tipo de oração muitas vezes.

Petições são orações com pedidos específicos. Os servos de Deus podem fazer petições “em tudo”, ou seja, em qualquer situação. Mas essas orações precisam estar de acordo com a vontade de Deus, que é revelada na Bíblia. — 1 João 5:14.

Orações de ação de graças ou de agradecimento a Deus mostram que somos gratos pelo que ele já fez e ainda vai fazer por nós. Quando nos concentramos nos motivos que temos para agradecer a Deus, conseguimos continuar alegres. — 1 Tessalonicenses 5:16-18.

A paz que Deus dá nos protege “por meio de Cristo Jesus”, porque é por meio de Jesus que podemos ter uma amizade com Deus. Jesus deu a vida em sacrifício para nos livrar do pecado. Se tivermos fé nele, podemos receber as bênçãos de Deus. (Hebreus 11:6)

Paulo tinha sólida formação religiosa, conhecia Jesus, conhecia Seus ensinamentos e era inspirado pelo Espírito Santo. Sentia-se tranquilo diante do próprio sofrimento, entendendo que, por confiar em Deus, por entregar-se à Sua vontade, sabia que o que quer que lhe acontecesse, fazia parte do plano divino. Não discutiu, não resistiu e não perguntou por quê. Apenas creu e confiou que aquilo que lhe sucedia era o melhor, que o propósito estava acima do seu entendimento e sob o controle de Deus, afinal, Jesus afirmou:

Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?

Mateus 6:25-27

Não andeis ansiosos. 

Se somos cristãos, se professamos nossa fé em Jesus Cristo, se conhecemos os Seus ensinamentos, mandamentos e promessas, se cremos e confiamos na Palavra, não podemos ser ansiosos. 

Se somos ansiosos, é porque não confiamos que nossas vidas e nosso amanhã estão sob os cuidados de Deus. Este é um verdadeiro teste da nossa fé.

Por outro lado, se cremos e professamos nossa fé em Jesus e conhecemos o Evangelho, não andamos ansiosos. Apresentamos a Deus, as nossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças e somos confiantes e tranquilos. Vivemos em paz. A paz de Deus, que excede todo o entendimento.

A ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos, uma antipatia-simpática. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo”.

Sören Kierkegaard[2]

Em 21 de julho de 2022

Júlio Xavier Vianna Jr


[1] Copyright © 2022 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania.

[2] Søren Aabye Kierkegaard; Copenhague, 5 de maio de 1813 – Copenhague, 11 de novembro de 1855) foi um filósofo, teólogo, poeta e crítico social dinamarquês