Em agosto de 1983 eu trabalhava na Volvo, quando o S. Alfredo me convidou para participar de uma reunião na Redentor em um sábado de manhã. Eu fui e lá estavam você o S. Alfredo e a Vera Baglioli, que foi dar uma aula sobre a planilha de cálculo tarifário.
Alguns dias depois, S. Alfredo me perguntou se eu tinha entendido. Eu disse que sim (estava no último ano de Engenharia Mecânica) e ele me convidou para ir trabalhar lá – na Redentor.
Eu aceitei o convite e, dia 05 de setembro de 1983, eu me apresentei para começar. S. Alfredo chamou você, o Edson Graczick, o Balzan, o Geraldo Pellanda, o José Luiz, o Nelson, o Wilson e o Rafael. Todos reunidos, S. Alfredo anunciou: “Este é o Julinho. Agora ele é diretor aqui”. E saiu da sala.
Assim começamos a trabalhar juntos. Foi uma parceria que deu bons frutos. Juntos enfrentamos forte resistência, porque tínhamos energia e trazíamos uma mentalidade inovadora e uma cultura organizacional que nem sequer era imaginada nas empresas de ônibus. Você criou a Associação dos Funcionários da Redentor. Juntos fomos fazer curso de O&M, contratamos uma consultoria organizacional, fizemos descrição de funções, criamos um plano de cargos e salários, treinamento de funcionários, inspeção de frota, plano de manutenção preventiva, controle de custos e depois automatizamos tudo em um grande “sistema” (que hoje seria chamado de ERP). Criamos a Gulin Processamento de Dados e Serviços, que hoje seria chamada de CSC, onde havia desenvolvimento de sistemas, recrutamento, seleção e treinamento de pessoal, assessoria fiscal e contabilidade centralizados, e até uma central de compras (recriada recentemente como uma prestadora de serviços chamada Suply Bus). Criamos até uma nova empresa de ônibus, chamada Viação Cidade Sorriso, com centenas de simulações e complexos fluxos de caixa de quinze anos até chegar à configuração adequada.
Éramos jovens e cheios de energia criativa. Estivemos juntos, na mesma empresa, até 92, quando houve a primeira divisão do grupo. Você foi para a Sorriso e eu fui para a Santo Antônio, começar tudo outra vez.
Relembro estas coisas com tantos detalhes que não vou mencionar para não fazer disso um livro. Mas estas recordações me fazem bem, porque vejo que você e eu demos passos importantes, marcamos a história das empresas da família em um processo de profissionalização e modernização, que certamente contribuiu decisivamente para a sobrevivência delas. Das nove empresas de ônibus que existiam em Curitiba naquele tempo, só a Redentor, a Glória e a Mercês ainda existem, além da Sorriso, que é “filha” da Redentor e da Glória. Aliás, não por acaso, as extintas empresas assinaram suas próprias sentenças quando se negaram a ouvir nosso alerta (meu e teu, a partir de uma preocupação do Clodoaldo Teixeira) de que a grande compra de 500 ônibus da Mercedes em 1989 seria um suicídio (fizemos também centenas de fluxos de caixa e não era uma operação viável) e acabaram comprando inclusive a cota que as empresas do grupo se recusaram a comprar. Acho importante que os mais jovens saibam (e que alguns mais velhos lembrem) que houve trabalho duro, transformação, e significativas vitórias.
Acredito que você deva também visitar o passado, para reconhecer os acertos e o resultado de todos estes anos de trabalho vigoroso, criativo e meticuloso se revigorar e iniciar esta nova etapa da vida, em que você deve desfrutar o tempo e contemplar, que é muito prazeroso.
Obrigado pela parceria. Em minha memória, o registro de que crescemos juntos. Aprendi com você e acho que você também aprendeu algo comigo.
Deus te abençoe.